Pensando sobre autonomia na pedagogia…
30 maio, 2011 às 8:45 pm | Publicado em Sem-categoria | 2 ComentáriosEu estava lendo Paulo Freire por estes dias. Fazia tempo que não me sentia inspirada a postar algo por aqui. Mas o “Pedagogia da Autonomia” me pegou…
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Não é a toa que o título deste trabalho de Paulo Freire seja “pedagogia da autonomia”, resumindo os “saberes necessários à prática educativa”. Há algum tempo venho refletindo a respeito deste tema, “autonomia”, e procurando compreendê-lo com mais clareza. Educar parece ser, em termos gerais, preparar uma pessoa para que ela tenha autonomia e seja competente no lidar com sua vida, na realização de seus anseios, na busca por mudanças.
Mas o que isso, afinal de contas, implica? Creio que esta seja uma discussão muito profunda, filosófica, que vai além de simplesmente ficarmos lendo e relendo este e vários outros autores, e fazendo listagens dos elementos que eles citam como sendo essenciais para a formação de um professor. O próprio Paulo Freire cita neste livro que de nada adianta ler variados autores e colecionar suas idéias, citando-os de cabeça, se isso não se torna algo vivo, presente na vida, transformando padrões e revolucionando comportamentos. Isso acontece muito no meio acadêmico e, consequentemente, na formação de professores…
O que está em jogo aqui, é a própria forma com que vivemos nossa vida. Nós, professores, nascemos, somos condicionados, temos anseios, desejos, padrões consolidados, teimosias, medos. Quando falamos de formação de professores e saberes essenciais estamos falando da vida de pessoas. Da forma como elas vivem, o que elas acreditam, como elas agem. Pois é isso que estará presente no momento em que ele estiver se relacionando com seus alunos. Ler Paulo Freire não torna ninguém livre ou autônomo. Só se esta pessoa já estiver pronta para isso e esta leitura sirva como uma catalisador de um processo que ela já está vivendo. Só assim as teorias fazem sentido.
Sendo assim, creio que a questão sobre quais seriam os saberes necessários à prática educativa, que se constituíssem em uma “pedagogia da autonomia”, resida em outras questões anteriores: “quem somos nós”, “porque queremos ser professores”, “o que queremos de nossa vida”, “como vemos o mundo” e não em técnicas de ensino, teorias maravilhosas, dinâmicas e metodologias. Para ser professor, é preciso ser um filósofo. Mas não daqueles que apenas teorizam, mas daqueles que vivem questionando sua forma de ser, que não estão satisfeitos em serem simples seres condicionados, que buscam transcender-se, que procuram encontrar os elos entre si mesmo e os outros.
E isso é apenas o início da verdadeira autonomia. Um professor só é capaz de aplicar uma “pedagogia da autonomia” se ele mesmo for um ser autônomo. Senão, de onde ele vai tirar esta experiência? Sem a experiência, ele vai apenas se tornar um papagaio que vive repetindo idéias que ouviu por aí mas que não estão presentes em suas ações, sendo que ele, na verdade, “desautonomiza” seu aluno o tempo todo.
Mas autonomia é algo que vem do berço, ou então é algo arduamente construído, para aqueles que não foram educados assim. E eu duvido que as instituições agüentassem muitos seres autônomos em suas fileiras. Pois a idéia de instituição é de certa forma contrária a idéia de que alguém seja “livre” dela. Instituição é por definição, um padrão consolidado. E um ser autônomo, é por excelência, alguém que quebra com padrões o tempo todo. Coitado do Paulo Freire, tão autônomo e livre mas que hoje, de tão institucionalizado pelas instituições educacionais, acabou se tornando palavrinha comum – muito citada, mas pouco vivida…
Como um professor “filhinho da mamãe”, sem limites, melindroso, medroso, condescendente, fanático, inseguro (isso em vários níveis, de várias formas, de muitos nomes) vai desenvolver a autonomia de seu aluno se ele próprio não sabe o que é isso? Como um professor vai inspirar o amor pelo conhecimento, pela abertura, pelo novo, se ele não gosta muito de ler nem estudar, vive falando mal daqueles que ficam questionando tudo e não gosta de mudanças? Como ele vai reconhecer as emoções, a sensibilidade, a afetividade a sua volta se nem ele mesmo tem contato com suas dores, seus medos, suas angústias, sua necessidades?
Como ele vai permitir que seu aluno seja livre e criativo se ele nunca experimentou isso em sua vida?
Por isso, entendo, como Paulo Freire (isso mesmo, me dou o direito de dizer que, pela minha própria vida e experiência, cheguei a muitas das conclusões que ele chegou), que o professor tem que acreditar, tem que viver aquilo que ele está ensinando. Formação de professores, em um nível mais profundo, depende do despertar do ser humano, do quanto ele se conhece, do quanto alcançou sua própria expressão no mundo (sua autenticidade), do quanto está seguro de sua identidade. Eu nunca encontrei isso no meio acadêmico.
2 Comentários »
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Oi Leticia,
Obrigado por suas reflexões – fica o convite para você se inspirar e seguir compartilhando suas idéias.
Abraço.
Comment by Augusto— 31 maio, 2011 #
obrigada Augusto! já me inspirei!
Comment by educaçãoevida— 1 junho, 2011 #